O prazo para conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga a morte do agricultor Marcos Nörnberg, de 48 anos, foi prorrogado por mais duas semanas pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul. O caso aconteceu na madrugada de 15 de janeiro, na zona rural de Pelotas, e gerou forte repercussão após imagens de câmeras de monitoramento revelarem momentos da ação policial.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias da operação que terminou com a morte do agricultor dentro da própria residência. Ao todo, 18 policiais militares participaram da ação e permanecem afastados de suas funções enquanto o caso é apurado.
Investigação é ampliada
Segundo a corregedoria da Brigada Militar, o prazo foi estendido porque uma reprodução simulada dos fatos ainda precisa ser realizada. Esse procedimento, previsto para o fim do mês, deve ajudar a reconstruir a dinâmica da ocorrência.
De acordo com o corregedor-geral da corporação, coronel Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro, a simulação é considerada fundamental para esclarecer detalhes da ação, incluindo posicionamento dos policiais, possíveis rotas de deslocamento e a sequência dos disparos.
Além disso, as armas utilizadas pelos policiais foram apreendidas e estão passando por perícia balística. O objetivo é identificar quantos disparos foram feitos e de quais armas partiram.
Paralelamente, a Polícia Civil também conduz um inquérito próprio, que investiga possíveis crimes como homicídio, abuso de autoridade e eventuais irregularidades na operação.
Imagens mostram sequência de tiros

Imagens obtidas por câmeras de segurança da propriedade registraram parte da ação policial. No áudio captado pelo equipamento é possível ouvir ao menos 18 disparos de arma de fogo.
Após os tiros, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegaram ao local, mas Marcos Nörnberg já estava morto.
As imagens passaram a integrar o conjunto de provas analisadas pelos investigadores e podem ser decisivas para esclarecer se houve excesso na abordagem.
Versões divergentes
A principal divergência do caso envolve o momento em que os disparos ocorreram e se houve troca de tiros.

Segundo a Brigada Militar, os policiais estavam cumprindo uma ação após receberem informações sobre suspeitos que estariam no local. Conforme a versão da corporação, Marcos teria disparado contra os agentes, o que teria motivado a reação policial.
No entanto, a viúva do agricultor, Raquel Nörnberg, contesta essa versão.
Ela afirma que o marido não saiu da residência no momento da abordagem e foi atingido ainda dentro da casa.
“Em nenhum momento ele saiu de dentro da nossa casa. Ele foi alvejado dentro da nossa casa”, relatou.
Raquel também afirmou que o casal acreditava que a movimentação no pátio pudesse se tratar de uma tentativa de assalto, o que teria levado o agricultor a pegar a arma que mantinha na propriedade.
Operação teria sido baseada em informação equivocada

Outro ponto que levanta questionamentos é a origem das informações que levaram os policiais até o endereço da família.
Segundo as autoridades, o local foi indicado por suspeitos presos pela Polícia Militar do Paraná, que teriam fornecido dados sobre possíveis envolvidos em crimes na região.
A partir dessas informações, a Brigada Militar do Rio Grande do Sul organizou a operação que terminou na morte do agricultor.
Após o caso vir a público, o então comandante-geral da corporação, Cláudio Feoli, declarou que houve um “grande equívoco” na ação.
Comunidade cobra respostas

O caso causou grande comoção na zona rural de Pelotas e entre familiares da vítima. Moradores da região afirmam que Marcos Nornberg era conhecido como um trabalhador dedicado à agricultura.
A família cobra que a investigação seja conduzida com transparência e que eventuais responsáveis sejam responsabilizados.
Organizações ligadas aos direitos humanos também passaram a acompanhar o caso, apontando a necessidade de esclarecer se houve erro de inteligência policial, falhas no planejamento da operação ou uso excessivo da força.
Próximos passos da investigação
Com a prorrogação do prazo do Inquérito Policial Militar, a corregedoria deve concluir nos próximos dias:
- a reprodução simulada da ocorrência
- a análise dos laudos periciais das armas
- a coleta de novos depoimentos de policiais e testemunhas
Somente após a conclusão do IPM será definido se haverá indiciamento de policiais militares ou abertura de processos disciplinares e criminais.
Enquanto isso, os 18 PMs envolvidos permanecem afastados das atividades operacionais.
O caso segue sendo investigado também pela Polícia Civil e pode ganhar novos desdobramentos nas próximas semanas.
GIRO DA CIDADE segue acompanhando o caso e trará novas informações assim que houver atualização nas investigações.
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