A Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp está à frente de uma pesquisa que busca entender como produtos à base de cannabis vêm sendo usados de forma terapêutica no tratamento de transtornos de ansiedade em diferentes regiões do Brasil. O estudo é coordenado pela professora Débora Gomes Medeiros, da FMB, em parceria com a pesquisadora Heloísa Scattone, da Unicamp, e convida pacientes de todo o país a participarem de um questionário online, anônimo, com duração média de 20 minutos.
A proposta da pesquisa é mapear de que maneira esse tipo de tratamento tem sido adotado pelos pacientes, em um cenário em que os transtornos de ansiedade seguem entre os problemas de saúde mental mais comuns no país. Mesmo com o uso de medicamentos tradicionais e acompanhamento psicológico, muitas pessoas ainda convivem com sintomas persistentes, o que tem levado parte dos pacientes e da comunidade científica a olhar com mais atenção para alternativas terapêuticas.
Nos últimos anos, o uso medicinal da cannabis passou a ganhar espaço em estudos e debates na área da saúde. Embora ainda não faça parte das indicações formais dos principais protocolos clínicos para ansiedade, pesquisas recentes vêm apontando resultados considerados promissores em alguns casos, o que reforça a importância de ampliar a produção científica sobre o tema.
A investigação conduzida pela Unesp quer compreender como os pacientes chegam a esse tratamento, quais fatores motivaram o início do uso e de que forma os produtos são obtidos, seja por prescrição médica, associações ou importação. O levantamento também pretende identificar quais tipos de produtos são mais utilizados, como os pacientes avaliam os efeitos terapêuticos, se houve redução ou mudança no uso de outros medicamentos e quais impactos foram percebidos nos sintomas de ansiedade e na sensação de bem estar ao longo do tratamento.
Segundo a equipe responsável, a intenção é traçar um perfil mais detalhado dos usuários e reunir informações que possam ajudar no avanço do conhecimento científico sobre o uso terapêutico da cannabis no Brasil. A expectativa é que os dados obtidos sirvam de base para futuras pesquisas clínicas e contribuam para discussões mais amplas sobre o tema no país.
Podem participar da pesquisa pessoas com 18 anos ou mais que estejam em tratamento para transtornos de ansiedade com uso terapêutico de cannabis, incluindo produtos disponíveis em farmácias. A participação é voluntária e as respostas são mantidas em sigilo.
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