As obras do Trem Intercidades Eixo Norte, projeto que vai conectar Campinas a São Paulo por meio de transporte ferroviário, devem começar ainda em março, antes do prazo inicialmente previsto. A antecipação de cerca de dois meses foi confirmada nesta quarta feira, durante reunião do Conselho da Região Metropolitana de Campinas. Segundo a concessionária TIC Trens, responsável pelo empreendimento, o avanço no cronograma foi possível após a apresentação dos projetos e a obtenção das licenças necessárias para o início dos trabalhos.
Antes da instalação dos trilhos e dos demais sistemas ferroviários, a primeira fase da obra será voltada à preparação da base da via. Nessa etapa inicial, a empresa deve atuar na retirada de interferências existentes ao longo do trajeto, como trilhos antigos e tubulações que já não estão em uso, além de serviços de drenagem e adequação do terreno. Só depois dessa preparação é que serão implantados os dormentes, os trilhos e toda a estrutura necessária para a operação do sistema.

No trecho entre Jundiaí e Campinas, a concessionária identificou nove pontos ao longo de aproximadamente 40 quilômetros onde esses serviços preliminares devem ser iniciados. A expectativa é que essa fase funcione como a fundação da nova linha, abrindo caminho para a instalação definitiva da infraestrutura ferroviária. A previsão oficial segue sendo de início da operação em 2031.
O projeto do Trem Intercidades prevê um serviço expresso entre a estação Água Branca, na capital paulista, e Campinas, com viagem estimada em 1 hora e 4 minutos. A composição poderá atingir até 140 km por hora, com capacidade para 860 passageiros por viagem. O valor estimado da tarifa é de R$ 64. Paralelamente, o contrato também contempla o Trem Intermetropolitano, que fará a ligação entre Jundiaí e Campinas com paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos. Nesse caso, o percurso deverá ser feito em cerca de 33 minutos, com capacidade para 2.048 passageiros e tarifa prevista em R$ 14,05.
Outro ponto importante do projeto é a modernização da Linha 7 Rubi, que liga Água Branca a Jundiaí e é considerada parte essencial da operação do Trem Intercidades. Atualmente, esse trecho concentra tanto a circulação de passageiros quanto a movimentação de cargas da MRS, o que torna a operação mais complexa. De acordo com a concessionária, a solução passa pela criação de uma via segregada para carga, prevista na renovação antecipada da concessão da MRS, o que deve permitir reorganizar o sistema e reduzir impactos na circulação dos trens metropolitanos e do futuro serviço expresso.

A TIC Trens também informou que vem reforçando sua estrutura de manutenção. Desde novembro do ano passado, sete dos nove veículos de manutenção adquiridos na China já chegaram ao Brasil pelo Porto de Santos. Esses equipamentos não serão usados para o transporte de passageiros, mas sim na conservação da Linha 7 Rubi, no trecho entre São Paulo e Jundiaí, e futuramente também entre Jundiaí e Campinas. Entre os itens já entregues estão uma socadora para correção do nivelamento da via, duas locomotivas, três vagões hopper para transporte de materiais e um vagão prancha com proteção lateral. Os dois equipamentos restantes, outra socadora e uma máquina de manutenção de rede aérea, devem desembarcar ainda em março.
Ao todo, a concessionária afirma ter adquirido cerca de 50 veículos voltados à manutenção da malha, incluindo caminhonetes rodoferroviárias, retroescavadeiras adaptadas, caminhões multifuncionais e equipamentos de soldagem. O objetivo é dar suporte às intervenções exigidas por um projeto de grande porte que, além da nova ligação ferroviária, prevê melhorias estruturais ao longo de toda a operação.

O Trem Intercidades é operado pela TIC Trens, empresa criada após o leilão da concessão realizado em fevereiro de 2024. O contrato foi assinado em maio do mesmo ano e tem duração de 30 anos. A concessionária nasceu de um consórcio formado pela CRRC Hong Kong, fabricante chinesa de trens que detém 40% de participação, e pelo Grupo Comporte, da família Constantino, com 60%. A CRRC ficará responsável pela fabricação dos trens e pelo fornecimento dos sistemas, enquanto o Grupo Comporte já atua em outras operações de mobilidade no país.
O investimento total previsto para o TIC Eixo Norte é de R$ 16,85 bilhões. Desse montante, R$ 9,5 bilhões serão aportados pelo Governo do Estado de São Paulo. O projeto abrange cerca de 100 quilômetros de extensão e reúne em um único pacote o Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas, o Trem Intermetropolitano entre Jundiaí e Campinas e a modernização completa da Linha 7 Rubi.
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