O vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César, do PSB, retomou o cargo nesta quinta-feira, 19 de março, depois de receber autorização da Justiça. Ele estava afastado desde novembro de 2025, quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes em licitações públicas.
De acordo com a Prefeitura de Hortolândia, o retorno aconteceu após uma nova decisão judicial que retirou a medida cautelar que o impedia de exercer funções públicas. Carlos Augusto César, conhecido como Cafu César, tem 63 anos e chegou a ser preso no dia 12 de novembro do ano passado. Poucos dias depois, em 18 de novembro, a Câmara Municipal aprovou seu afastamento do cargo sem remuneração.
Em dezembro, a Justiça já havia concedido habeas corpus ao vice-prefeito, revogando a prisão preventiva e substituindo a detenção por medidas cautelares. Mais recentemente, na quinta-feira, 12 de março, o Superior Tribunal de Justiça analisou um novo recurso e derrubou parte dessas restrições, incluindo justamente a proibição de que ele voltasse ao cargo público.
Mesmo com a autorização para reassumir a vice-prefeitura, Cafu César ainda precisa cumprir algumas determinações judiciais. Entre elas estão o comparecimento mensal em juízo, a retenção do passaporte e a proibição de manter contato com os demais investigados citados no processo. Essa restrição, segundo a decisão, agora vale apenas para os alvos da investigação e não mais para qualquer agente público.
Segundo a apuração da Polícia Federal, o vice-prefeito teria atuado no direcionamento de licitações da Prefeitura de Hortolândia e na liberação de pagamentos à empresa Life Tecnologia Educacional em troca de vantagens indevidas. Os investigadores apontam indícios de que ele teria recebido ao menos R$ 2,4 milhões dentro do suposto esquema.
O Ministério Público Federal afirma ainda que Cafu César teria feito compras de luxo que somam R$ 2,9 milhões, pago R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo por um imóvel e utilizado uma BMW 320i que estaria vinculada à empresa investigada. Esses elementos fazem parte do conjunto de indícios reunidos durante a investigação.
As apurações indicam que o esquema contaria com a atuação de lobistas para aproximar a empresa Life Tecnologia Educacional de prefeituras e outros agentes públicos. Depois disso, o dinheiro obtido, segundo os investigadores, seria lavado com apoio de doleiros, que transformavam os valores em espécie para o pagamento de propinas.
A Polícia Federal também informou que a maior parte dos créditos recebidos pela empresa entre 2021 e 2024 teria origem em recursos públicos. Somente os valores ligados a Hortolândia, Sumaré e Morungaba somam R$ 99,3 milhões. A investigação ainda menciona mais R$ 11,7 milhões possivelmente relacionados ao município de Limeira, elevando o total de recursos públicos analisados para mais de R$ 111,1 milhões.
Quando se observa o faturamento por meio de notas fiscais, as vendas da Life para esses municípios ultrapassam R$ 86 milhões. O caso continua sendo investigado pelas autoridades.
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