O interior de São Paulo respondeu por cerca de 70% de toda a droga apreendida no estado ao longo de 2025, segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Ao todo, foram retiradas de circulação 206 toneladas de entorpecentes em território paulista, sendo 143,4 toneladas localizadas em cidades do interior. O volume representa um crescimento de 2,6% em relação a 2024, quando as apreensões nessa parte do estado somaram 139,7 toneladas.
Entre os casos de maior repercussão está uma ocorrência registrada em fevereiro de 2025, em Porangaba, no interior paulista. Na ocasião, a Polícia Rodoviária encontrou 9 toneladas de maconha e skunk escondidas em uma carga de milho durante uma abordagem na Rodovia Castello Branco. Em outro flagrante de grande porte, realizado em setembro, em Adamantina, um caminhoneiro foi interceptado transportando 7,8 toneladas de maconha ocultas em placas de gesso.
Os números mostram que algumas regiões do interior concentraram boa parte dessas apreensões. A área de Presidente Prudente liderou o levantamento, com 36,4 toneladas recolhidas pelas forças de segurança. Na sequência aparecem Sorocaba, com 28,8 toneladas, e Bauru, com 15,6 toneladas.
A maconha foi o entorpecente mais apreendido no estado, somando 151,4 toneladas. Depois aparecem a cocaína, com 31,8 toneladas, e o grupo formado por crack e outras drogas, que chegou a 22,6 toneladas. Com esse volume retirado de circulação, a estimativa do governo paulista é de que o crime organizado tenha sofrido um prejuízo próximo de R$ 1 bilhão.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, esse corredor usado para o transporte de drogas pelo interior ficou conhecido entre as forças policiais como “rota caipira do tráfico”. A estratégia, segundo a pasta, envolve o deslocamento dos entorpecentes por cidades interioranas para facilitar a travessia entre estados e, em muitos casos, permitir que a carga siga até a capital paulista. De lá, parte da droga pode ser encaminhada ao Porto de Santos, com destino ao mercado internacional.
Ainda conforme a secretaria, esse caminho é usado especialmente por organizações criminosas que tentam acelerar a logística do tráfico e ampliar o alcance da distribuição. Em alguns casos, a carga segue para países da África, Ásia e Europa, onde o valor da cocaína no mercado ilegal pode ser muito superior ao praticado no Brasil.
No país, o tráfico de drogas é considerado crime pela Lei nº 11.343, de 2006, e prevê pena de 5 a 15 anos de reclusão, além de multa. Diante dos números registrados no interior paulista, as apreensões reforçam o papel estratégico das rodovias da região no combate ao avanço das facções e ao transporte de grandes carregamentos de drogas.
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