Mensagens extraídas do celular do tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, revelam um relacionamento marcado por controle, humilhação e violência psicológica contra a esposa, a soldado Gisele Alves Santana. Em uma das conversas citadas na denúncia do Ministério Público, o oficial afirma que a tratava como “todo homem macho alfa” trata a esposa e diz que ela deveria ocupar o papel de “fêmea beta obediente e submissa”, em uma fala que expõe um discurso associado ao universo red pill e à defesa da submissão feminina.
O conteúdo das mensagens também mostra que o acusado tentava usar a dependência financeira como forma de poder dentro da relação. Em outro trecho, ele enumera os valores que dizia pagar mensalmente com aluguel, condomínio, água, luz e outras despesas da casa, cobrando da companheira uma suposta contrapartida afetiva e sexual. Segundo a denúncia, o comportamento descrito nas conversas era possessivo, controlador e autoritário.
A resposta de Gisele, porém, indicava que o casamento já estava em ruptura. Em uma das mensagens reunidas na investigação, ela deixa claro que queria a separação e rejeita a pressão imposta pelo marido ao escrever que não iria “trocar sexo por moradia”. Em outro momento, relata agressões e afirma que ele havia colocado a mão em seu rosto pouco antes da morte. Para os investigadores, o material reforça a tese de que a policial vinha sofrendo abusos nos dias que antecederam o crime.

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou Geraldo Leite Rosa Neto réu por feminicídio, por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual, sob a suspeita de tentativa de simular suicídio após a morte de Gisele. O oficial foi preso preventivamente em São José dos Campos na quarta-feira, 18 de março de 2026.
A denúncia ainda ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, com a divulgação de que o tenente-coronel também é investigado por assédio sexual e moral contra mulheres em posição hierárquica inferior dentro da corporação, o que amplia o peso das acusações e a repercussão do caso.
O caso chama atenção não apenas pela gravidade da acusação, mas pelo teor das mensagens, que escancaram uma dinâmica de dominação masculina, cobrança, intimidação e misoginia dentro da relação. Mais do que frases soltas, os trechos reunidos pela investigação desenham um histórico de violência e controle que, segundo o Ministério Público, antecedeu a morte da policial militar.
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